Para exercer atividade de extrair dentes, os "profissionais" dependiam de uma licença
especial dada pelo "cirurgião-mor mestre Gil", sendo os infratores
autuados, presos e multados em três marcos de ouro ... (segundo a norma da Carta Régia de 25 de outubro de 1448, de El-rei D. Afonso, de Portugal, dando
"carta de oficio de cirurgião-mór destes reinos"). A carta de ofício
não se referia aos barbeiros e sangradores, havendo a possibilidade destes
profissionais terem obtido licença do cirurgião-mór de Portugal.
Em 1728, na França, Piérre Fauchard
(1678-1761) com seu livro: Le Chirugien Dentiste au Traité des Dents,
revoluciona a odontologia, inovando conhecimentos, criando técnicas e
aparelhos, sendo cognominado "o pai de Odontologia Moderna". Nesta
época José S. C. Galhardo é nomeado pela Casa Real Portuguesa, cirurgião-mór
deste Estado, regulamentando os práticos da arte dentária.
Pela lei de 17 de junho de 1782, foi criada
a Real Junta de Proto-Medicato. Constituída de sete deputados, médicos ou
cirurgiões, para um período de três anos, caberia a estes o exame e a expedição
de cartas e licenciamento das "pessoas que tirassem dentes".


Nas últimas décadas deste século, Joaquim
José da Silva Xavier (1746-1792) praticou a Odontologia que aprendera com seu
padrinho, Sebastião Ferreira Leitão. Seu confessor, Frei Raymundo de Pennaforte
disse sobre ele: "Tirava com efeito dentes com a mais sutil ligeireza e
ornava a boca de novos dentes, feitos por ele mesmo, que pareciam
naturais".
Nesse período os dentes eram extraídos com as chaves de Garangeot,
alavancas rudimentares, e o pelicano. Não se fazia tratamento de canais e as
obturações eram de chumbo, sobre tecido cariado e polpas afetadas. A prótese
era bem simples, esculpindo dentes em osso ou marfim, que eram amarrados com
fios aos dentes remanescentes. Dentaduras eram esculpidas em marfim ou osso utilizando-se
dentes Humanos e de animais, retendo-as na boca por intermédio de molas,
sistemas usados na Europa. Porém no Brasil, era tudo mais rudimentar
.
Os barbeiros e sangradores aprendiam o
ofício com um mais experiente e tinham que provar uma prática de dois anos sob
a vista do mesmo. Após pagar a taxa de oito oitavos de ouro. Submeter-se-iam a
exame perante o cirurgião substituto de Minas Gerais e dois profissionais
escolhidos por este. Aprovados, teriam suas cartas expedidas e licenças concedidas.
No final do século XVIII, mais precisamente em 23 de maio de 1800, cria-se o
"plano de exames", um aperfeiçoamento das formalidades e dos exames.
é encontrado pela primeira vez em documentos do Reino, o vocábulo
"dentista”, criado pelo cirurgião francês Guy Chauliac (1300-1368),
aparecendo pela primeira vez em seu livro "Chirurgia Magna" publicado
em 1363.
No hospital de São José, na Bahia,
criava-se a Escola de Cirurgia, graças a interferência do Doutor José Corrêa
Picanço, físico e cirurgião-mór; em nome da Real Junta do Proto-Medicato. Nada
beneficiou os dentistas na ocasião. Picanço, a seguir, não só licenciou os
profissionais da corte, como sete negros, de baixa classe social, alguns até
escravos de poderosos senhores. Havia nesta época dois ditados populares:
"ou casa, ou dente" - ou "ou dente, ou queixo, ou língua, ou
beiço". Indicavam que dado o pouco conhecimento e inabilidade dos
"tira-dentes" ocorria freqüentemente traumatismos nestas regiões.
Para moralizar esta atividade ante as
inúmeras queixas contra os profissionais, o cirurgião-mór determinava em suas
"cartas", que o barbeiro poderia exercer a sua arte com restrições,
"não sangrandos em ordem de médico ou cirurgião aprovado e não tirando
dentes sem ser examinado". Antes do final de 1808, D. João VI transfere-se
de Salvador para o Rio de Janeiro.
Em 07 de outubro de 1809 é abolida a Real
Junta do Proto-Medicato, ficando todas as responsabilidades ao encargo do
físico-mór e do cirurgião-mór, com a colaboração de seus delegados e
subdelegados. O físico-mór do Reino era Manoel Vieira da Silva, encarregado do
controle do exercício de Medicina e Farmácia e o cirurgião-mór dos exércitos,
José Corrêa Picanço tinha poderes análogos em relação à cirurgia, controlando o
exercício das funções realizadas pelos sangradores, dentistas, parteiras e
algebristas.
Em 1820, o Doutor Picanço concedeu ao francês
Doutor Eugênio Frederico Guertin a "carta" para exercer sua profissão
no Rio de Janeiro. Era diplomado pela Faculdade de Odontologia de Paris e aqui
atingiu elevado conceito, atendendo a maior parte da nobreza, inclusive D.
Pedro II e familiares. Publicou em 1819, 'Avisos Tendentes à Conservação dos
Dentes e sua Substituição', ao que tudo indica, a primeira obra de odontologia
feita no Brasil.
As dentaduras eram constituídas de duas fileiras de dentes, esculpidas
em marfim ou adaptadas em base metálica, sendo as arcadas ligadas por molas
elásticas. Em 01 de junho de 1824, Gregório Raphael Silva, do Rio de Janeiro,
recebeu a primeira "carta de dentista" após a Independência do
Brasil.
No dia 30 de agosto de 1828, D Pedro I
(1798-1834) suprime o cargo de cirurgião-mór, cujas funções passaram a ser
exercidas pelas Câmaras Municipais e Justiças Ordinárias.
Em 1839, é criada por Chaplin A.
Harris, em Baltimore, Estados Unidos, a primeira Escola de Odontologia do
mundo: Colégio de Cirurgia Dentária. Foram Também seus professores: E. Farmly,
E. Becker e S. Brown.
Um dentista português, Luiz Antunes de
Carvalho, obteve notoriedade, sendo um dos pioneiros na cirurgia buco-maxilar
no Brasil. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1836, sendo o primeiro dentista a
registrar sua "carta" na secretaria da Câmara Municipal. No Brasil,
publicou no Almanak Administrativo Mercantil e Comercial: "Luiz Antunes de
Carvalho enxerta outros dentes nas raízes dos podres, firma dentes e dentaduras
inteiras, firma queixos, céus da boca, narizes artificiais e cura moléstias da
boca, rua Larga de São Joaquim,125".
Foi aprovado também na Faculdade de
Medicina do Rio de Janeiro e o primeiro a se registrar na Junta de Higiene,
criada em 1850, em substituição à fiscalização exercida pela Câmara Municipal.
A partir de 1840 começaram chegar dentistas dos Estados Unidos e pouco a pouco
suplantam os colegas franceses. Luiz Burdell foi o pioneiro, seguindo-se
Clintin Van Tuyl, o primeiro a utilizar clorofôrmio(só em casos excepcionais)
para anestesia, conforme cita em seu livro: "Guia dos Dentes Sãos
publicado em 1849.
O Doutor Whittemore, que tornou-se mais
tarde o dentista da Corte Imperial, propalava em 1850 ter recebido "uma
porção de clorofôrmio puro para tirar dentes sem dor". Nenrique C.
Bosworth também se destacou.
Em 1850, pelo decreto lei 598 é criada a
Junta de Higiene Pública, que possibilitou a Medicina uma enorme evolução,
principalmente pelas medidas saneadoras. Os três primeiros dentistas que se
registraram: Luiz Antunes Carvalho (1852), Emilio Salvador Ascagne (1859) e
Theotônio Borges Diniz (1860). Mentes mais lúcidas procuravam a melhoria do
ensino e normas um pouco mais criteriosas e moralizadoras àqueles que
desejassem praticar o Medicina e Odontologia.
Através do decreto de 15 de agosto de 1851,
os novos estatutos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro foram aprovados
em 28 de abril de 1854, por proposta de seu diretor, Doutor José Martins de
Cruz Jobim. A nomeação contribuiu para o desenvolvimento da profissão,
principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Em setembro de 1869, graças a
João Borges Diniz, surge a primeira revista odontológica: "Arte
Dentária".
Vicente Cândido Sabóoia (1835- ),
mais tarde Visconde de Sabóia que, assumindo a direção da Faculdade de Medicina
em 23 de fevereiro de 1880, resolveu inicialmente atualizar o ensino, tanto
material como cientificamente. Logo a seguir cria o laboratório de cirurgia
dentária, encomendando aparelhos e instrumentos dos Estados Unidos. Com crédito
especial obtido na lei 3141 de 30 de outubro de 1882, monta também o
laboratório de prótese dentária.
Pelos decretos 8850 e 8851 de 13 de
janeiro de 1883, o cirurgião-dentista Thomas Gomes dos Santos Filho presta
provas em concurso realizado em 22 de maio de 1883 e é aprovado em primeiro
lugar como preparador. De personalidade marcante, a odontologia nacional muito
deve a ele, principalmente por ter descoberto a fórmula de vulcanite e em
seguida produzi-la. Conseguiu dessa forma suprir a falta de material e combater
os preços abusivos.
Graças ao empenho de Vicente C. F. de
Sabóia e Thomas Gomes dos Santos Filho, houve um novo texto nos Estatutos das
Faculdades de Medicina do Império, denominada Reforma Sabóias, apresentado dia
25 de outubro de 1884 através do Decreto nº 9311 com seguinte enunciado:
"Dá novos Estatutos às Faculdades de Medicina".
- Usando da autorização concedida
pelo art. 2º, Parágrafo 7º, da lei 3141 de 30 de outubro de 1882: - Hei por bem
que nas Faculdades de Medicina do Império se observem os novos estatutos que
com este baixam, assinados por Filippe Franco de Sá; do Meu Conselho, Senador
do Império que assim o tenha entendido e faça executar. Palácio do Rio de
Janeiro, em 25 de outubro de 1884, 63º da Independência e do Império.
Com a rubrica de sua Majestade o Imperador
Filippe Franco de Sá.
Pela primeira vez, no art. 1º, vinha
consignado que a odontologia formaria um curso anexo. Assim:
-Art. 1º - Cada uma das Faculdades de Medicina do Império se designará pelo
nome da cidade em que tiver assento; seja regida por um diretor e pela
Congregação dos Lentes, e as comporá de um curso de ciências médicas e
cirúrgicas e de três cursos anexos: o de Farmácia, o de Obstetrícia e
Ginecologia e o de Odontologia.
a) Havia apenas as Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e de Salvador.
b) Compreende-se porque a primeira Escola de Odontologia de São Paulo , criada
em 07 de dezembro de 1900, denominou-se nos primeiros anos , Escola de
Farmácia, Odontologia e Obstetrícia de São Paulo.
No capítulo II, a Sessão IV tem o título:
"Do curso de Odontologia" - Art. 9º.
Das matérias deste curso Haverá três séries:
1ª série - Física, química mineral, anatomia descritiva e topografia da
cabeça.
2ª série - Histologia dentária, fisiologia dentária, patologia dentária e higiene
da boca.
3ª série Terapêutica dentária, cirurgia e prótese dentárias.
Os três primeiros mestres no Rio de Janeiro
foram:
Thomas Gomes dos Santos Filho ( ),
Aristides Benício de Sá (1854-1910) e Antônio Gonçalves Pereira da Silva
(1851-1916) que prestaram relevantes serviços à Odontologia.
Referências Bibliográficas:
Rosenthal E.; A Odontologia no Brasil no séc XX, Editora Santos 2001.
Silva, R.H.A.; Sales-Peres, A. Odontologia: um breve histórico - Odontologia. Clín.-Científ., Recife, 6 (1): 7-11, jan/mar., 2007.Salles Cunha; História da Odontologia no Brasil (1500 - 1900) Rio de Janeiro, \Editora Científica 1952








.jpg)
Gostei, bela postagem.
ResponderExcluirContinuarei acompanhando suas postagens, um abraço.
Obrigada Vanderson logo logo estarei com novidades
ResponderExcluir