Um dos primeiros dentistas brasileiros a ser mencionado em nossos textos históricos foi o Mestre Domingos, negro alforriado que se notabilizou no reinado de D. João VI, e que, possivelmente, depois de Tiradentes, foi o dentista brasileiro que se destacou. Foi representante dos nossos primeiros profissionais, um misto de dentista-barbeiro-sangrador), como vemos neste interessante texto do professor Salles Cunha78, em 1929:
“Chamava-se mestre Domingos, preto e mestiço, o africano exercia a profissão como barbeiro e sangrador, e morava para os lados do bairro da Saúde. Exercia livremente a sua clínica cirúrgica, não só na sua barbearia, como nas casas dos clientes, atendendo com prontidão aos chamados. Levava enrolada debaixo do braço uma esteira feita de táboa, indústria nacional, que lhe servia de cadeira de operação, e uma enferrujada chave de Garangeot, das primitivas e, com ela, operava indistintamente, acontecendo inúmeras vezes arrancar, tal era a terminologia de então, dentes em duplicatas, cobrando ao cliente um apenas. Tornou-se popular o celebrado operador; as crianças não eram poupadas a essa lei de extermínio, e, como complemento da sua teoria operatória, uma vez extraído o dente, aconselhava que o lançasse no telhado do prédio vizinho, precedido da seguinte frase – Mourão toma teu dente pôdre e me dá o meu são! – esta frase era repetida três vezes antes de ser lançado ao telhado”(1).
" Nesta época o mestre Domingos, "barbeiro" popular no bairro da Saúde, Rio de Janeiro, se tornou famoso. O negro mestiço exercia sua atividade também na casa de clientes. Sob o braço levava uma esteira de tábua, que servia de cadeira e uma chave de Garangeot. Dado a manobras intempestivas, algumas vezes extraía também o dente vizinho, mas cobrava apenas um. Às crianças, sugeriu que o dente extraído fosse jogado no telhado, dizendo antes e por três vezes: "Mourão, toma teu dente podre e dá cá o meu são"e " Havia um crioulo muito habilidoso que esculpia dentaduras em osso e as vendia na porta das igrejas, após as missas domingueiras. Era só escolher, não só a mais bonita, como também a que se adapta-se o melhor possível na boca".
1 - José Tadeu Tesseroli de Siqueira , Dores Mudas- Estranhas dores da Boca da Editora Artes Médicas, 2008.
2 - Elias Rosenthal, CD - Jornal APCD - outubro de 1995
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