quinta-feira, 8 de março de 2012

Cirurgiões-barbeiros e sangradores

Por volta dos anos 1800, além de dispersas e desreguladas, as atividades dentárias, de maneira geral, não desfrutavam de muito prestígio social. De fato, grande parte dos que se candidatavam a uma carta de licença para os ofícios de barbeiro, de sangrador e de dentista era composta de escravos e alforriados, demonstrando-se, assim, o baixo prestígio social dessas atividades na entrada do século XIX (Cunha, 1952; Figueiredo, 2002).Figueiredo (2002) faz uma análise da escala social das profissões no Brasil do século XIX constatando que, em uma sociedade marcada fortemente pelo trabalho escravo, o prestígio do barbeiro (e, igualmente, do sangrador e do dentista) não era e nem podia ser elevado, uma vez que a maioria deles era constituída de homens pardos ou negros, alguns libertos, outros escravos.



Assim, aos poucos, a “arte de tirar dentes”, foi sendo assumida pelos escravos e pelos negros alforriados, sendo considerada uma atividade de menor importância. As gravuras de Debret (1978, p. 211), ilustram cenas das primeiras primeiras barbearias onde em que se lê na placa da barbearia: "barbeiro, cabeleireiro, sangrador, dentista e deitão de bixas (sic)"[1].

De acordo com Rosenthal18 (2001) a presença do negro na prática odontológica não era bem vista pelos portugueses, mas o Reino fazia, excepcionalmente, essa concessão a fim de que pudessem atender outros escravos e pessoas carentes, sendo que o licen­ciamento de alguns destes profissionais estava dependente do cirurgião-mor .

Já no século XVII surge a primeira legislação portuguesa referente à Odontologia, a Carta Régia de Portugal, de 09 de Novembro de 1629, regularizando a prática da arte dentária, sendo instituída uma multa de dois mil réis às pessoas que “tirassem dentes” sem licença e, pela primeira vez citando a “classe profissional” dos barbeiros.












[1]

FIGUEIREDO, B. G.: ‘Barbeiros e cirurgiões: atuação dos práticos ao longo do século XIX’. História, Ciências, Saúde — Manguinhos, VI(2): 277-91, jul.-out. 1999

2 comentários:

  1. Sou barbeiro e formado em Ciências Sociais.
    Pesquisador sobre a profissão, faço referência bibliográfica do trabalho da Betânia.

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  2. Sou barbeiro e formado em Ciências Sociais.
    Pesquisador sobre a profissão, faço referência bibliográfica do trabalho da Betânia.

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